A Comissão Processante da Câmara de Carmo do Rio Claro sorteada para apurar as denúncias feitas por um eleitor à Prefeita Maria Aparecida Vilela, votou por dar continuidade ao processo que pode levar a cassação da Chefe do Executivo. Foram favoráveis a continuação os vereadores Lucas Cardoso Carielo, Presidente da Comissão, e Antônio Marcos Esteves, relator. O edil Luiz Floriano Avelino apresentou parecer contrário. A defesa da Prefeita foi apresentada no dia 04 de janeiro, contendo 51 páginas, e rol de testemunhas. Ela pede o arquivamento da denúncia mediante às alegações de que não existe justa causa e nem provas das acusações; por não haver resolução criando a Comissão Processante; alega impedimento de vereadores que participaram da votação que recebeu a denúncia e na Comissão Processante e de que a continuidade do processo não deveria se dar no período de recesso parlamentar. Os vereadores favoráveis a continuação consideraram que a acusação é séria e precisa de aprofundamento na avaliação dos fatos e recolhimento de provas para que haja uma decisão coerente. Ainda alegaram que sem apuração dos fatos não há como afirmar que não existe justa causa. Disseram que a denúncia indica provas das supostas infrações cometidas pela Chefe do Executivo e que não precisa ter resolução com o mesmo propósito do sorteio realizado durante a sessão ordinária. Eles também não vêm impedimento de nenhum vereador de participar do processo. Luiz Floriano divergiu do parecer dos demais e pediu que o processo não continuasse em período de recesso parlamentar. Alegou que não houve autorização do Presidente da Câmara para que a Comissão Processante atuasse durante o recesso parlamentar. O seu parecer foi indeferido por não se tratar de competência da comissão. Dessa forma, o processo foi iniciado e a primeira audiência foi marcada para o dia 20 de janeiro, às 13h, quando serão ouvidos o denunciante, a denunciada e as testemunhas arroladas. Acusação No dia 14 de dezembro passado, os vereadores Antônio Marcos, João Carlos, José Joaquim, Juliano Alves, Lucas Carielo e Wilber Moura votaram pelo recebimento da denúncia contra a Prefeita. A Chefe do Executivo foi acusada de usar o dinheiro público de maneira irregular, descumprindo o Orçamento, a Lei Orgânica e o Estatuto do Servidor Municipal. A denúncia ainda acusa a Prefeita de impedir a fiscalização do Poder Legislativo. A Prefeita de Carmo do Rio Claro passará pelo segundo processo nesse mandato. Em 2013, foi cassada pela Câmara, no dia 14 de junho, por utilizar de forma irregular o saldo remanescente do extinto FAPEM (Fundo de Aposentadoria e Pensão do Servidor Público Municipal), durante o período eleitoral, no ano de 2012, para pagamento de férias-prêmio. O valor do dinheiro usado estava em torno de R$6 milhões. Depois de cassada, a Prefeita ficou afastada do cargo por quase nove meses, mas consegiu retornar mediante a uma decisão expedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mesmo depois de várias derrotas no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).